Em um cenário marcado pelo consumo rápido, pelas comparações nas redes sociais digitais e pelo fácil acesso ao crédito, cada vez mais jovens enfrentam dificuldades para administrar o próprio dinheiro. Cartão de crédito, compras parceladas, pressão social e falta de planejamento financeiro acabam se tornando fatores que contribuem para o endividamento precoce.
Para entender como os jovens podem desenvolver hábitos financeiros mais saudáveis, conversamos com Saulo Henrique, economista formado pela Universidade Federal do Piauí, especialista em gestão financeira e consultor financeiro há quatro anos. Segundo ele, a educação financeira deve começar ainda na juventude, porque dois fatores são fundamentais para quem deseja construir patrimônio: tempo e consistência.
Começar cedo faz diferença
De acordo com Saulo, um dos maiores arrependimentos de quem começa a investir mais tarde é justamente não ter iniciado antes. “O tempo é um dos maiores aliados dos investimentos. Quanto mais cedo a pessoa começa a investir e se organizar financeiramente, maiores são as possibilidades de construir patrimônio no futuro”, explica.
O economista destaca que desenvolver hábitos financeiros saudáveis ainda jovem ajuda a criar disciplina e previsibilidade, especialmente quando a pessoa começa a ganhar mais dinheiro no futuro.
Muitos jovens acreditam que só vale a pena organizar as finanças quando tem uma renda alta. Porém, segundo o consultor, a organização financeira não depende apenas do valor recebido, mas principalmente da forma como o dinheiro é administrado.
O primeiro passo, segundo Saulo, é registrar tudo o que entra e tudo o que sai. Hoje existem diversos aplicativos gratuitos e planilhas digitais que ajudam nesse controle. Ele recomenda que o jovem acompanhe detalhadamente seus gastos para entender para onde o dinheiro está indo.
Dicas práticas para começar:
Anotar todas as despesas, até as menores;
Definir um limite de gastos mensal;
Separar uma parte da renda para investir;
Dividir os gastos por semana para facilitar o controle;
Revisar mensalmente os gastos desnecessários.
Um dos pontos mais abordados pelo economista é o uso consciente do cartão de crédito. Para ele, o problema não está no cartão em si, mas na falta de planejamento. ““O jovem precisa entender que não pode gastar tudo o que ganha. Mesmo recebendo pouco, é importante guardar uma parte. O cartão serve para dar fôlego financeiro, não para aumentar o seu poder de compra”, explica. Segundo Saulo, muitas dívidas surgem porque as pessoas parcelam compras sem considerar os gastos já comprometidos no mês.
Para usar o cartão com responsabilidade:
Saiba exatamente quanto já está comprometido na fatura;
Nunca compre algo que ultrapasse sua capacidade de pagamento;
Evite acumular várias parcelas ao mesmo tempo;
Use o parcelamento para organização, não por impulso.
Redes sociais digitais aumentam a pressão para consumir
Outro desafio enfrentado pelos jovens atualmente é a pressão causada pelas redes sociais digitais, pois essas plataformas exibem viagens, roupas, carros e estilos de vida que muitas vezes não refletem a realidade financeira da maioria das pessoas.
Para o economista, a comparação constante pode levar a decisões impulsivas e perigosas. “As pessoas querem viver imediatamente aquilo que veem na internet. Mas cada pessoa possui uma realidade financeira diferente”, alerta.
Ele recomenda que os jovens aprendam a respeitar seu próprio momento financeiro e evitem compras feitas apenas para acompanhar tendências ou padrões sociais. Saulo também afirma que muitas dívidas poderiam ser evitadas com planejamento e paciência. Segundo ele, grandes erros financeiros costumam acontecer quando o jovem tenta assumir gastos acima do que pode pagar. Isso inclui:
Financiar bens cedo demais;
Assumir aluguel acima da renda;
Fazer compras por impulso;
Utilizar crédito sem controle.
“O segredo é simples: nunca gastar mais do que ganha”, resume.
Saulo reforça que educação financeira não significa deixar de viver ou abrir mão do lazer, mas aprender a consumir com consciência, levando em conta alguns hábitos importantes como: revisar constantemente os gastos, evitar compras impulsivas, comprar apenas quando houver capacidade real de pagamento e viver “um degrau abaixo” da renda recebida.
Educação financeira também é qualidade de vida
Para o especialista, aprender a lidar com dinheiro vai muito além de números. A educação financeira proporciona tranquilidade, segurança e autonomia para realizar sonhos no futuro. “Quem aprende a controlar o dinheiro cedo consegue construir patrimônio com mais segurança e menos sofrimento”, afirma. Ele finaliza deixando um conselho aos jovens: evitar comparações e focar na própria realidade.
“Você não precisa conquistar tudo agora. Cada pessoa tem seu tempo, sua renda e sua história. O importante é construir sua vida financeira com responsabilidade e constância.”




